Crônicas do Sneaker Session


Existe uma expressão que diz que “você só conhece uma pessoa quando andou uma milha com seus sapatos”. Essa expressão genial quer dizer exatamente
que você só pode julgar uma pessoa quando passou o mesmo que ela por um determinado período, não somente momentaneamente. Mas existe um momento, coisa que dura pouco tempo, que todo mundo que ama sneakers sabe o peso de uma milha andada: o momento de se desfazer de seu querido par que está lá no armário, esperando a aposentadoria.

Não, não é fácil. Ainda mais que, às vezes, o par que mais merece ser aposentado, de tão gasto que está, é o par que mais gostamos.
Por isso mesmo, aliás, ele é o mais gasto.
Ele que esteve conosco no trabalho. Nas férias. No fim de semana. Na quinta-feira. Toda quinta-feira. Naquela quinta-feira especial como nenhuma outra.
O par que está sempre conosco nestes momentos.
Ou até aquele que usamos pouquíssimas vezes, sempre guardando para o momento especial. Até que chega o momento triste: o do “adeus”.

E a gente sente uma dor. A dor de se despedir da única coisa que viveu essa milha inteira com a gente.

Mas é importante. Todo sneaker nos lembra que nós vivemos de andar.
E andar é ir para frente, deixando coisas pelo caminho. Mesmo as coisas boas e queridas. Tudo tem seu tempo e hora. E só deixando para trás estamos de verdade valorizando o que significaram, e não profanando ao tentar imortalizá-los.

Abra seu armário. Olhe com atenção. Relembre os momentos, mas diga com franqueza qual estará nos seus pés nos próximos passos, e qual merece agora ser o preferido de alguém menos favorecido que nunca teve a opção de comprá-lo.

Afinal, começar uma nova milha nos pés de outra pessoa é um destino mais honrado que ficar pelo resto de sua história aposentado em um armário.

sm

A sneaker freaker since 2008, he had the time and passion to create the SNKR 2008. Besides shoes he's a creative consultant passionate about art, design, music and culture.

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